Domingo, 26 de Abril de 2009

olhos azuis!


"a caricatura, como a crónica, é uma arma terrível: ataca mais perversamente e defende-se com inocência; dá uma grande punhalada, depois toma ar de candura e fica-se toda risonha, fazendo acenos e afagos; e depois, como se há-de combater se está estabelecido nos costumes que ela não pode ser tomada a sério? (...)
ela não respeita nada e fala nas coisas que o individuo mais ama."

eça de queiroz


17 comentários:

ze disse...

bom post Amélia,

Como vês também dá para não deixar morrer um blogue,
sem ter que lhe dedicar assim tanto tampo.

rosa disse...

devia estar a desenhar o pormenor duma telha, daqui a pouco vêem o buscar, azarito.

não invejo os teus amigos. as tuas amizades.

modero os meus impetos, otherwise, era uma peixeirada. e ainda por cima, além de pouco musical ando mal humorada.

a "minha" pequenota, que pouco a pouco é quase Minha, aprendeu recentemente a arte antiquissima de pestanejar.

ai... e com tal graça, mestria. irrestivel.

não sei desenhar caricaturas e só quando estou foribunda consigo usar a ironia, sem grandes resultados, arrependo-me sempre dos maus impetos. a retórica não é o meu forte.
e se o o vires por aí avisa, que nem eu sem bem qual é.

anyway, beijo e abraços. bom dia do trabalhador.

fujiya e miyagi rules!!!!

hã hã, gimme me to me baby!

Haddock disse...

ó amélia, até estamos zonzos!!

eles são:


- insanidades bisbilhotais;

- proclamas matrimoniais e puerperais;

- ...ignas provocações;

- etc...


... e, agora, "caricatura"!?


olha, não deites fora a garrafa de jameson...
escorropicha-a e manda-a à testa do primeiro imbecil!!

(pontaria não te falta!!)

isto, sim, é reciclar!!


tudo pelo ambiente.

(menos deixar de fumar)


abraço anárquico!!

Amélia disse...

sôr zé, está enganado. tomou-me muito tempo. primeiro porque a "postinha de pescada" começou a ser ruminada lá para trás, na “caixinha de esmolas” das postas anteriores.
depois, como sou completamente desmemoriada, só para me lembrar onde tinha lido este trecho de texto foi o cabo dos trabalhos. depois encontrar o livro também não foi tarefa fácil. apesar de não serem muitos andam todos espalhados pela casa. como se ainda não bastasse copiar o texto, dedo na teclazinha mais outro dedo na teclazinha, é de uma lentidão exasperante... e finalmente para a escolha da fotografia do titulo andei mais de meia hora para me decidir. ou seja, demorou um tempo que nem sempre tenho.
os "berloques” morrem quando têm de morrer...

rosa, olha que não são assim tão maus, os amigos e as amizades... que eu saiba não existe propriamente uma cartilha de bons comportamentos entre pessoas que se estimam. para uns será com festinhas e mimos, para outros será de outra forma qualquer. depende também da ocasião, do que se fala ou qual o tema que se está a tratar. faltarão porventura alguns sinais - gestuais, faciais, corporais, que permitem uma melhor comunicação, e que, de certa forma, evitam pensamentos do género: - “o que é que este gajo me está a querer dizer? ai o estapor! ai! ai! ‘tás aqui ‘tas a levar!”… aqui, nesta virtualidade algo enganadora, na minha opinião, a ausência desse conhecimento até confere ainda mais piada a algumas palavras.
contudo, para mim o problema não está na ironia bem disposta.
com essa posso eu bem, salvo seja!

é das coisas que mais gozo me dá: vê-las crescer, aprender, ter vida própria! vais conquistar com certeza (ou ela a ti?) a “Tua” Pequenota! não é tarefa fácil... se o meu irmãozinho estivesse por aqui dir-te-ia. também ele teve uma pimpolha (agora já mulher!)para seduzir e tratar como "Dele"!

telhas? agora desenhas telhas? coincidência das coincidências, por lá também se andam a desenhar alguns telhados! se se montam de baixo para cima, se ao contrário, arrancando com as fiadas a partir da cumeeira. se é telha marselha, se é à portuguesa ou de canudo...
vamos iniciar a recuperação do país inteiro! acabaram-se os caixotes modernos!

senhor excelentíssimo capitão haddock, de que provocações fala? eu? jamais! nego tudo!
mas que isto está caótico, ai lá isso está! ao que parece transformei isto sem me dar conta: - de um “bordelzinho” animado, passámos para um confessionário de uma igreja de uma aldeia com meia dúzia de habitantes sem mais nada para fazer senão cortar na casaca do vizinho do lado!
estou a brincar...
ainda está a luz vermelha acesa ali no fundo, a casa vai permanecendo aberta (sem razões aparentes para tal) e o balcão está bem abastecido! abastecido por mais mês e meio, que vou ver se consigo terminar os T.P.C.!
os senhores professores mandaram...

beijinhos e abraços anárquicos!

rosa disse...

por minha vontada acabava com as telhas e a calçada à portuguesa, uma é feia e a outra irritante.

hoje li uma coisa que gostei, estava espalhada por fios e fios que andam debaixo da terra, cruzam-se e entrecruzam-se, tropeçam-se, mas muito fáceis de encontrar.

ENTRE AMIGOS

1
Belo é - calar em comum,
Inda mais belo - rir em comum, -
Sob o lençol de seda do céu,
Debruçado para o musgo ou para um livro,
Rir alto com os amigos
E mostrar uns aos outros dentes alvos.

Se é bom o que fiz - então calemo-nos;
Mas se é mau - vamos então rir
E fazer ainda pior,
Fazer pior, rir pior,
Até tombarmos na cova.

Amigos! Sim! Quereis assim?
Ámen! E até à vista!

2
Nada de desculpa! Nada de perdão!
Se, alegres e livres de coração,
Dais ouvidos, coração e abrigo
A este livro sem razão,
Crede, Amigos, não foi maldição
Esta minha sem-razão.

O que eu encontro, o que eu procuro -,
Esteve jamais em livro algum?
Honrai em mim o grémio dos loucos!
E aprendei deste livro de louco
Como a razão chega - «à razão»!

Ora pois, Amigos, quereis assim?
Ámen! E até à vista!

F.N.



oxalá que o riso seja sempre em comum.

revistinha que tem a mania que sabe tudo. disse...

ai que nervos, amélia, o que é preciso pra estares no activo, SEMPRE?

olhos pestanudos, amigos repletos de ironia, música hã-hã, telhas aerodinâmicas, bares americanizados com bourbon destilado, B.D., luzes vermelhas fluorescentes, livros espalhados à mão de semear, meninas pequenitas que gostam de música e velocidades, piscinas e gatos, cozinhas atabulhadas.... WHAT?!?!?!!!??!?!

amélia disse...

caramba!!!
isso é que é conhecimento de causa, mna. revistinha que tem a mania que sabe tudo!!!
e do "chin-chin" cambodjano ou vietnamita (já não me lembro...), de quase-quase abertura deste bordel? diga-me, o que é que achou?

mas já agora, sendo a rapariga atenta que aparenta ser, como é que lhe escapou que cá a "sôdona amélinha" está com árduas tarefas para a conquista de uma porcaria de um título?... académico, veja lá bem?
e para nada, diga-se de passagem...

ficam as promessas (que por vezes não se cumprem...) de um regresso aos devaneios tolos, tontos e quejandos, sempre em desmesurado esforço conciliado com uma soberba preguiça, lá para as calendas de junho!
pode ser?

sempre rindo, naturalmente, mesmo quando nem tudo corre bem...

beijinhos anárquicos! (cada vez gosto mais desta saudação...)

revistinha e tal disse...

assustador!
(não que seja púdica.)


aguardo pacientemente, from now on.


beijitos menina amélia.

revistinha disse...

e nao é que a desgraçada da "rebuçadinho de ananás", meteu na cabeça do estronço do marido, retirar a "deusa" net a quem cometa prevacariações...

está com medinho de perder os royalties pela musiquinha vazia mas visualmente apelativa e nao possa comprar os tailleurs e sapatinhos rasos.

mastronça!!!!

(eu tinha razão, ah pois tinha).

amélia disse...

...
(ele há gente inspirada!!!)

revistinha, eu... eu...
olha pá, confesso que hoje estive vai-não-vai, para fazer uma posta de pescada... mas depois, rais'me'partam, era assim um bocadinho para o deprimente. ou talvez não, não sei.
tinha uma fotografia fantástica. de um edifício (ou do que resta dele...)sem telhados! ou telhados voadores, talvez. também não sei.

e tinha morte, à conta de uma malfadada notícia (era a parte da depressão...). e festa! penso eu que a morte deve ser comemorada e não carpida (era a parte da descompressão...)!

depois, opha, começo a pensar no tempo que perco a fazer a "postinha", em contraponto com a porcaria dos textos que tenho de escrever obrigatóriamente (para o cursinho, remember?), na porcaria dos riscos sem grande afecto que também têm de ser fei(t)os, mais o trabalho diário, mais isto e mais aquilo... e desisto.

zau! o melhor é ir ver qualquer pessegada na televisão e dormir... dormir o sono dos incautos...

ponho a fotografia ali em cima. a morte e a festa ficam para outra altura.

ah, é verdade, a minha "rebuçadinhos de ananás"?
"faxaborê" de a deixar estar sossegada! se ela decidiu castigar prevaricadores é porque estava coberta de razão...

rosita, acho que cada coisa tem o seu lugar, adequa-se ou não às circunstâncias em que está inserido. da calçada à portuguesa não tenho opinião formada. desde que não tenha buracos e não me faça torcer os pés, qualquer chão serve!
já dos telhadinhos...
um dia destes, se vieres ao norte, mostro-te um exemplo de uma obra à qual retiraram o dito cujo chapelinho... obra de dignos “arquitectitos”, garantidamente! de canudo em riste a provar a sua sapiência!
depois de a veres, passas a gostar de telhados num instantinho! perante o descalabro desequilibrado que é olhar para aquela obra, não há outro remédio! decepada a testa, escalpelado o cucuruto, ‘tadinha da casinha armada ao moderno, fica completamente nas lonas, sem piadinha nenhuma!

mas enfim... lá está, aquela bela obra. e por lá vai ficar inúmeros anos, à vista de toda a gente, a provar apenas que, por vezes, nos armamos aos cucos, na ansia de fazer diferente, e sai-nos o tiro pela culatra.
há telhados que merecem estar onde estão. haverá uns que jamais deveriam ter sido construídos, haverá outros que fazem a falta que fazem. a outros ainda nem pensar em mudar-lhes o nome ou dar-lhes outro!

quanto aos amigos... opha, rosa, lembraste daquela máxima que o capitão aqui largou uma certa vez? “levemo-nos a sério a brincar”?

são amigos, mas não são amistosos...

beijinhos de sempre!
(colocar a pelingrafia ali em cima e vou mas é trabalhar...)

revistinha disse...

nao gosto de frases feitas.

o passado já era.

perfeito, perfeito, era arte nova e candeeiros com música. ou uma mine.
quantos mil anos tem a telha?

tou-te mesmo a ver de saltos agulha a passear nos passeios de lisboa. aquelas sandalecas de tirinhas, girérrimas, atiradas para dentro duma sapateira à espera de melhores dias ou outras calçadas.

noutro dia falaram-me do construtivismo russo, desconhecia. gosto dos alemães.

adoro o espanhol.


e a rebuçado nao está nada coberta de razao, é uma oportunista. fascista.

pessegadas (tvi ou axn???!?!?!)em oposiçao a alegres cavaqueiras?

nao aturo mau humor gratuito de ninguem com idade de ter já aprendido qq coisa. ámen.

stop.

(mensagem dúbia? ou parca em adjetivos? that's me)

;)

r disse...

festa e morte, lembra-me os calexico. assim de repente. ou o méxico, ou a gripe A, ou a ressaca.

Amélia disse...

preguiça...
reiniciando actividade cá por trás.

rosa, os calexico fazem-me lembrar outros reinicios, um belo "dança de la muerte" de há quase um ano atrás.
este "bordelzinho não tem remédio e não...

para já quero agradecer-te a companhia que me fizeste - ou a tua música, melhor dizendo, durante esta larga temporada de... sei lá, estudo obrigatório, involuntário, mas simultâneamente frutuoso. agradeço-te por aqui porque continuo a não ser sócio de coisa nenhuma.
daqui por uns meses, quem sabe, talvez me faça sócio de uma ordem qualquer. até lá permaneço...

foram dias, meses, complicados, de vidinha virada do avesso, sem o prazer das coisas que realmente me dão prazer.
o gozo da leitura, o gozo da música, as minhas "pimcezas", a companhia dos amigos, enfim o gozo em fazer qualquer coisa acho que está em podermos não fazê-lo, virar-lhe as costas e deixá-lo para amanhã.
quando é o contrário que acontece, o "porque tem de ser", esse gozo esvai-se. passa a ser a obrigação e com isso vem a nervoseira miúdinha. com a minha provecta idade no que me fui meter...
mas pronto, está quase, quase feito. uma etapazinha já sem importância para o términus. segundo dizem as más linguas, vou ficar muito mais descansada...

não me obrigues portanto a ir agora rever o construtivismo russo, ou a estudar outros que desconheço, mais à sua história, às suas influências, às politicas que levaram essas correntes artisticas ao desaparecimento, etc. ditadores do raio que os parta...

a televisão para mim funciona como um sedativo. para adormecer e mais nada. foi curso já tirado em tardes de longinqua memória, em que me devia ter dedicado a outras coisas. agora, sinceramente, só mesmo para adormecer. salvam-se algumas coisas que sigo com algum interesse e nada mais. nem axn nem tvi. canal dois uma vez por outra. aos domingos, quando a noite já vai alta, tento ver as "curtas".
adormeço, também...

o mau humor não se atura a ninguém (stop) muito menos o meu (stop).
ainda assim, por vezes temos de fazer algumas concessões, dar o beneficio da dúvida...

eu de sapatinhos de cristal? 'tás-me a ver do alto dos meus metro e oitenta ainda com sapatinho de salto? se já assim, com sapatinho raso, é uma dificuldade ter uma conversa decente com "gaijos" pequenitos, faria se crescesse para o metro e noventa!!!

sempre me fascinou a tua "dubiandade", a tua forma de te expressares. deixa-me de cara à banda... também sou loira, que se há-de fazer. mas dá que pensar e isso é muito, muito bom.
penso que em relação a isso estamos mais que esclarecidas... (agora ficava bem um "smile")

não percas portanto esse... dom?

beijinhos anárquicos! (que a conversa já vai longa...)

rosa disse...

contrutivismo russo com este calor??? mon dieu!

antes umas bejecas e uns tremoços em oposiçao aos caracóizinhos. e claro a bela da cavaqueira.

tu de mau humor....? não me recordo.

ultimamente tenho ouvido muito a expressão "menos...menos...", não sei se está na moda. pois só nao as uso pela maldita calçada e porque embrulho os pés nos pedais, que já de si é uma tarefa extenuante e complicadissima.

olha, sou muito paciente, coisas da idade, talvez. vou aguardando sem pressas.


ah.. o telhado do espanhol. esse sim.

hasta.

Amélia disse...

...
a idade confere-nos alguma paciência, sem dúvida. mas fizeste-me lembrar uma das poucas tiradas com piada que disse (berrei, vociferrei!) às "pimcezas", já faz algum tempo. o chamado "ponto de rebuçado", ou estado de ebulição, em que de repente me deparei! já não sei que disparates elas estavam a fazer, mas aquilo estava a pôr-me os nervos em franja. viro-me para elas, já completamente desaustinada, e digo-lhes, alto e bom som, "ó meninas, já não basta eu estar para aqui aos berros ainda tenho de me zangar? é?"... espertalhonas, aperceberam-se do disparate... riram-se e riram-se de mim! realmente, são raras as vezes em que denoto má disposição, e quando isso acontece, nem sempre sou levada a sério.
corrijo-me. pelo menos tento.

em relação a este "bordelzinho" o meu receio é que ele se torne, de facto, numa espécie de diário, do género que tu me frizaste que mais valeria a pena enterrar-mo-nos num quartinho e escrever para nós próprios. tenho poucas coisas para falar e os pequenos episódios com piada (ou que eu porderia considerar com piada...) seriam, porventura, o tema...
não sei.
se ao menos tivesse o arcaboiço intelectual de outros que por aí andam...
não sei...
indecisa desde sempre...

pedais! tenho de me dedicar a isso. por questões de... de saúde!
caracoizinhos e cervejinhas a metro! lembraste bem! telefonar à mãezinha e da próxima vez que for a lisboa, à casa da mamã, pedir-lhe que me faça essa iguaria! como só ela sabe fazer!
as "pimcezas", minhotas de gema, também fazem vista grossa a esses bicharocos! nabiças!

tentar sair "daqui", falar noutros "tascos" onde me sinto à vontade, ou por onde gosto de passear.
dar a minha opinião, mesmo que esteja redondamente enganada, talvez seja uma hipótese para que continue a escrevinhar as minhas pessegadas.
mais uma vez, não sei...

beijinhos anárquicos, para ti e para os teus, rosa!
(e agora, antes de ir deitar as "pincezas", vou tentar dar resposta à rapaziada ali de cima...)
ah, é verdade! quando estava a falar da pretensa má disposição, e ao beneficio da dúvida(?), sabes bem a que(m) me estava a referir...

r disse...

nao somos nada sem os outros.

(frase feita) impossivel contorna-la.

nem que seja pelo tédio.


saber, saber, nunca sei. vou adivinhando...

Amélia disse...

...
e por vezes, por aqui, pode até morrer-se de solidão.

mesmo sem sofrermos desse mal.

o que não percebo - e não me vou deitar a adivinhar, é porque é que, ainda assim, fechamos as nossas casas a sete chaves.

a minha avó, da parte paterna, que morava na "travessa gaspar trigo", localzinho familiar quanto baste e paradoxalmente bem pertinho da baixa de lisboa, dizia, com toda a sua sapiência, que aos ladrões não se fechava a porta! era deixá-los entrar!
e assim o fazia.
a porta de entrada da sua casa a cair aos bocados, onde nasceu e viveu quase toda a sua vida, jamais era trancada. tinha um pequeno cordel com uma argola na ponta que permitia a qualquer um abrir o ferrolho e entrar por ali a dentro! sem ter de chamar, sem ter de tocar à campaínha, sem ter de pedir licença.
só depois de entrar é que chamava, "vóoo!? já cá estou! vôoo!? já cheguei!"...

por vezes ninguém me respondia...

beijinhos anárquicos menina r!